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Notícia - Falando Sério

Games permitem mais de 90% de retenção no aprendizado, diz especialista

O ambiente acelerado a que as novas gerações estão acostumadas é um reflexo da evolução na era digital. E mais do que apenas usar essas novas tecnologias para o entretenimento, as pessoas podem aproveitar o melhor que essas ferramentas oferecem para aprender e treinar conhecimentos, incluindo os games.

Foi pensando nisso que a Ciatech, empresa do grupo UOL Educação que oferece soluções de E-learning corporativas, foi criada.

Segundo o gerente geral de treinamento corporativo na consultoria, Rodrigo Godoy, esse tipo de conteúdo voltado para negócios é chamado de serious game, o qual traz uma mecânica de jogo que simula situações de um profissional em seu dia a dia, desafiando-o a tomar decisões  e aprender com os erros.

“Esses jogos se diferem dos games comuns por priorizarem experiências específicas para obter benefícios que vão além do divertimento, como aprender uma nova atividade, simular um novo produto e testar argumentações de venda”, afirma.

Em entrevista à INFO, Godoy explica as principais vantagens em usar os serious games nos negócios e afirma que o nível de retenção do aprendizado em jogos pode chegar a 92% - marca difícil de alcançar em treinamentos convencionais. Veja a seguir:

INFO: Como surgiram os serious games?

Godoy: De maneira geral, os games já estão presentes no repertório das pessoas. Elas estão habituadas a interagir digitalmente, a solucionar desafios, receber recompensas etc. Há jogos lúdicos, de entretenimento e que fazem simulações. Veja como exemplo o FarmVille, Sim City e The Sims, nos quais o indivíduo faz escolhas para desenvolver sua cidade, construir casas, desenvolver seus personagens. Com isso em vista, os serious games surgiram da combinação desse repertório e da prática das pessoas com a mecânica dos jogos para ser usado como um apoio à aprendizagem dentro de um ambiente corporativo. Eles normalmente são voltados para aprendizagem e desenvolvimento dos profissionais. No estudo de Métodos Imersivos que fizemos aqui na Ciatech, o nível de retenção do aprendizado em jogos alcançou 92%. E jogo não é coisa só para homens. Mais de 40% das mulheres brasileiras na faixa de 32 anos jogam. E mais: preferem jogos de estratégia. Ao olhar para estatísticas como essas estamos falando de um perfil de público que está presente no ambiente de trabalho, mais ainda, é o público-alvo das iniciativas de desenvolvimento da área de RH.

INFO: Por que as empresas tiveram a ideia de usar games para treinar ou recrutar profissionais?

Godoy: A aplicação dos serious games é bastante útil para profissionais de RH e Marketing, pois é possível simular situações reais (on-the-job) com colaboradores. Especificamente para treinamento e desenvolvimento, essas experiências servem para praticar uma atividade que na vida real é cara, perigosa ou que não permite erros. Os profissionais podem falhar em um ambiente seguro e serem expostos a uma série de situações para tentativa-e-erro. Por exemplo, para o lançamento de um novo produto para a força de vendas, a área de Marketing pode criar um game que simule o momento do atendimento no PDV para que o promotor tenha que praticar os argumentos de venda, incluindo as reações do cliente. Já o RH consegue criar simulações com viés mais comportamental, como num processo de implantação de código de conduta, por exemplo.

INFO: Para que tipos de empresa esse modelo é mais indicado?

Godoy: Não há restrição de uso pelo tipo de empresa. Na verdade, apostamos fortemente nessa solução educacional como tendência para a educação online. A nossa recomendação, na verdade, está relacionada ao tipo de conteúdo que se pretende transmitir e aos indicadores de resultado. Quando uma organização nos procura com um desafio, analisamos qual é o formato online mais adequado às necessidades dela. Indicamos o serious game como um treinamento formal e multiplataforma – como desktop e mobile – para transmitir conceitos, praticar conhecimento, avaliar a compreensão e estimular a mudança de atitude.

INFO: Como vocês usam esse recurso na Ciatech?

Godoy: Recomendamos os games quando a empresa tem como objetivos de aprendizagem transmitir conhecimento e conceitos, propor uma reflexão ou buscar uma solução de aplicação prática. Os games normalmente são parte de um programa de desenvolvimento ou de uma trilha de aprendizagem.

INFO: Em termos de custos, quais são as vantagens de uma empresa usar o método para treinar seus funcionários?

Godoy: Em nosso estudo da tendência de Métodos Imersivos, apresentamos um estudo de caso internacional que trata exatamente de custos. Essa provedora de formação técnica em elétrica, engenharia de gás e encanamento do Reino Unido, a Train4TradeSkills, precisava aumentar as taxas de aproveitamento dos seus cursos, que impactavam grupos de 500 profissionais por vez do segmento de construção, como alvenaria, carpintaria, tubulação, telhados etc. Esses profissionais precisavam ser mais assertivos no dia a dia para garantir mais qualidade no serviço prestado e redução do desperdício dos materiais, especialmente os mais caros, como a tubulação de cobre por exemplo. A Train4TradeSkills criou então um ambiente virtual 3D, chamado de Casa Virtual. Esse ambiente simulava todas as instalações de uma oficina e recebia comandos de um joystick que imitava as principais ferramentas (brocas, serra, curvador de tubo). Os resultados com essa ação vieram de várias partes: quem participou dessa rodada de simulação desempenhou a tarefa na vida real com mais confiança, os resíduos ambientais e o desperdício de materiais foram reduzidos, a quantidade de horas de treinamento teórico diminuiu também (já que os profissionais eram expostos ao ambiente virtual para simulação) e o custo do curso técnico em si diminuiu, pois a etapa presencial da oficina real foi substituída para um grupo muito maior virtualmente.

INFO: Quais são os maiores benefícios para o profissional? E os resultados a curto prazo para as empresas?

Godoy: Com os games, o profissional consegue atingir níveis maiores de concentração, se sentir estimulado e interessado. Ele pode também avançar em seu próprio ritmo, ter feedback imediato a cada tomada de decisão, descobrindo novas possibilidades e experimentando papéis diferentes à medida que o game avança. Do ponto de vista das empresas, os jogos têm ajudado a desenvolver novas habilidades cognitivas nos profissionais, levando-os a níveis mais altos de entendimento, retendo mais informação e desempenhando suas funções mais preparados, especialmente para encarar as situações práticas que foram simuladas no jogo.

INFO: Como esse tipo de game pode afetar a produtividade das pessoas?

Godoy: Pensando que o profissional será exposto a situações reais em que poderá simular, praticar e esgotar as tentativas e erros, ele definitivamente irá mais bem preparado para a realidade. Há um dado em nosso estudo da tendência de Métodos Imersivos que mostra que 90% dos aprendizes que fizeram uma simulação ou competição online se lembram mais do que foi ensinado. Isso implica certamente em um aumento da produtividade do dia a dia.

INFO: Em que outras situações os serious games podem ser usados?

Godoy: Temos observado empresas utilizando games nos processos seletivos. Normalmente esses jogos não estão associados diretamente a respostas certas ou erradas, mas servem como um mapeamento do perfil comportamental do candidato, revelando traços de personalidade, caráter e tomada de decisão.


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